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sábado, 6 de julho de 2013

Marcos André Martins

VIOLÊNCIA E BARBÁRIE HOMOFÓBICA EM UBERLÂNDIA

Gilvan de Melo está hospitalizado em estado grave

            No dia 27 de junho, véspera do dia em que a comunidade LGBT comemora o Dia Mundial do Orgulho Gay, data da primeira manifestação e luta por direitos dos homossexuais, ocorrida nos EUA, em 1969, conhecida como “A Batalha de Stonewell”, um grupo de no mínimo três pessoas tentou matar com pedradas na cabeça o homossexual Gilvan de Melo, 23 anos, assessor parlamentar, no bairro Morumbi, em Uberlândia.
            Amigos de Gilvan de Melo relataram que estiveram com ele até por volta das 22 horas, quando se separaram, cada um para suas casas. Neste percurso, ocorreu a agressão covarde cuja explicação seria a sua orientação sexual. Gilvan encontra-se em coma desde então, com traumatismo craniano, no hospital de Clínicas da UFU.
            Em todo o tempo de militância, nunca vi tamanha selvageria em Uberlândia. Sem querer fazer acusações, pois a polícia está investigando, este ato pareceu seguir aqueles literalistas da Bíblia e do Alcorão, que usam pedras em vez de respeito às diferenças, principalmente as sexuais.
Os discursos dos fundamentalistas como “cura gay” e “maldições do apocalipse” acabam influenciando a violência contra homossexuais e outras minorias.
            Além da investigação policial, estamos denunciando o crime em todo o Estado e no País, inclusive encaminhando a denúncia à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH). Não vamos parar enquanto não houver justiça. Denunciamos na mídia, denunciaremos na Câmara Municipal, nas manifestações e onde for preciso. Neste momento, convidamos as pessoas cuja fé seja para o bem a rezar pela vida de Gilvan e a fazer cartazes e/ou faixas cobrando justiça, eficiência e empenho das autoridades na apuração e responsabilização dos criminosos.
            O Brasil é o recordista mundial em crimes por homofobia. Segundo dados da SDH/PR, houve um aumento de 166% de denúncias de violação de direitos humanos a pessoas LGBT entre 2011 e 2012. Ainda segundo dados do Grupo Gay da Bahia - GGB, houve 336 assassinatos, quase um por dia em todo o país, um aumento de 26% em relação a 2011.
         
Marcos André Martins
Coordenador do Núcleo de Diversidade Sexual da Secretaria de Desenvolvimento Social e Trabalho e também presidente da Shama


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