Projeto institui criação de grêmios estudantis
Para muitos estudantes municipais a expressão “grêmio estudantil” soa estranha aos ouvidos, visto que ultimamente não se encontram frequentemente estes espaços de representação política e pedagógica da classe. Mas esta realidade está mudando com o lançamento do projeto “Grêmio Estudantil Livre pelo Direito de Aprender e Ensinar”. O projeto envolverá alunos de 33 escolas municipais do ensino fundamental, sendo 24 urbanas e nove da zona rural.
O processo de implantação dos grupos se divide em três fases. A primeira que já está em curso é a conceitual. Nesta etapa a Secretaria Municipal de Educação (SME) está mobilizando as comunidades escolares em encontros e cursos de formação sobre grêmios estudantis na perspectiva da gestão democrática. Cada sala de aula conta com um representante, constituindo as comissões pró-grêmio. Eles promoverão eleições até o final deste ano para eleger um representante de cada escola, ou seja, de cada grêmio, visto que cada unidade terá o seu. Esta será a fase da formação. Em seguida, terá o período prático, quando os grêmios passarão a participar ativamente das políticas pedagógicas municipais. A expectativa é que no início de 2014 todo o processo esteja concluído e os grêmios sejam atuantes no dia a dia das escolas e até mesmo da cidade.
O aluno do sétimo ano da Escola Professor Jacy de Assis, no bairro Aurora, Pedro Henrique Pimenta, garante que o projeto chega para melhorar a realidade da educação em Uberlândia. “Teremos o direito de expressar sabendo que seremos ouvidos. Não concordamos que as decisões sejam tomadas por poucas pessoas e os grêmios contribuirão para mudar esta realidade”, afirmou o estudante de 14 anos.
Militante desde a adolescência, Ana Carolina dos Santos Rabelo atualmente é educadora infantil na Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Professora Rosângela Borges Cunha, no bairro Seringueiras. Durante o lançamento do projeto, ela contou que em 2004, então com 13 anos e estudante da Escola Municipal Professor Eurico Silva, no conjunto Viviane, liderou um movimento que culminou na formação do primeiro grêmio estudantil registrado oficialmente em Uberlândia.
“Em novembro de 1985 entrou em vigor a Lei do Grêmio Livre que garantiu o direito de constituição dos grêmios após o regime militar. Infelizmente muitos desconhecem este fato. Mas agora isto começa a mudar em Uberlândia e os estudantes terão a oportunidade definitiva de também decidir pelas escolas e pela cidade”, disse Ana Carolina Rabelo.
Ao desenvolver o projeto, o governo municipal possibilita que os alunos expressem ideais, anseios, reclamações e sugestões, a fim de tornar Uberlândia uma cidade melhor para se viver. “Queremos uma cidade educadora que não se conforme com a injustiça, pelo contrário, que questione, dialogue e modifique. Fazer democracia é indispensável, pois com a participação popular podemos melhorar a vida de todos”, garantiu o prefeito Gilmar Marchado. Ele destacou que já fez parte de grêmios estudantis e os considera importantes na formação de gerações preocupadas consigo e com as outras pessoas.
Assim como nos versos de Milton Nascimento, na canção Coração de Estudante, quando ele canta que “há que se cuidar do broto pra que a vida nos dê flor e fruto”, a secretária de Educação, Gercina Novais, destacou que os grêmios possibilitarão que os estudantes e futuros adultos tenham suas diferenças e ideais respeitados. “Os grêmios são uma grande estratégia para se mudar a qualidade da educação, pois unificarão o processo, visto que o que unifica não é a igualdade, mas as diferenças, que serão respeitadas”, disse.
Marden Rangel
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