domingo, 17 de novembro de 2013

Tanque rede é expectativa de pequenos produtores

Tanque rede é expectativa de pequenos produtores
                       
            Pequenos produtores da agricultura familiar podem ter mais uma opção de trabalho e renda, com a produção e comercialização de peixes em tanque rede. Uma tecnologia que requer vontade, dedicação, conhecimento e disponibilidade para ingressar nesse mercado.
            Antenados nessa proposta, a Fundação de Excelência Rural de Uberlândia (Ferub), em parceria com a Universidade Federal de Uberlândia (UFU), ofereceu nesta segunda-feira (11) um curso teórico de cultivo de peixe em tanque rede. A intenção dos organizadores era informar sobre as inovações tecnológicas desse sistema de criadouro, explicar um pouco sobre o custo operacional e a viabilidade técnica e econômica da produção.
            Um dos palestrantes foi o pesquisador e zootecnista da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) Giovanni Resende de Oliveira, que tem amplo conhecimento na área. Segundo ele, antes de ingressar no mercado é preciso avaliar sua compatibilidade, definir as espécies que se adaptam a altas densidades de estocagem na água, entre outros itens fundamentais. Para o tanque rede é preciso espécies rústicas que representam condições favoráveis para a sobrevivência e reprodução. Espécies como tilápia, tambaqui, piau, lambari e surubim são mais resistentes e propícias para o tanque rede e já deram provas de sua aceitação por causa da procura para o consumo.
            Entretanto, Giovanni Oliveira alerta para que os interessados busquem qualificação e técnicas adequadas para o manejo, prevenindo desperdício e perda de material e produção das espécies. De acordo com o especialista, o futuro para o comércio de peixes é promissor, mas é necessário observar alguns pontos: mercado consumidor; espécie de peixes, que não devem ser misturadas em um mesmo tanque; estudo de viabilidade econômica, considerando o mercado local; cuidados permanentes com a qualidade da água, da alimentação, priorizando ração balanceada e compatível com a espécie cultivada.

Na prática
            O pesquisador fez alguns cálculos da viabilidade para quem deseja entrar no ramo. Segundo ele, é preciso analisar que o volume de peixes nem sempre é o mais relevante. “Às vezes, o piscicultor quer um tanque enorme para a produção de várias toneladas, mas aí ele vai esbarrar na comercialização que ainda não é grande, resultado: perda e prejuízo”, disse.
            O presidente do Conselho Comunitário de Desenvolvimento Rural da Tenda do Moreno em Uberlândia, Roberto Carlos Sousa Gonçalves, está bastante otimista com os trabalhos. Segundo ele, são ações assim que auxiliam os pequenos produtores e estimulam a permanência no campo. “Quando temos condições reais de trabalho e renda conseguimos dignidade. No caso do tanque rede, já podemos antecipar que está tudo caminhando para que em breve possamos produzir peixes e abastecer alguns pontos da cidade. Com trabalho, determinação e o auxílio que temos tido, poderemos sim mudar o rumo das coisas”, disse. Roberto Carlos acrescentou que em seis meses, com a construção de 50 tanques rede, espera produzir cerca de 10 toneladas de peixe.
            O segredo, disse, é produzir em menor escala e ter comprador certo. Por exemplo: uma produção de 500 kg de tilápia por mês, na grande Belo Horizonte, pode render cerca de R$ 4 mil a R$ 5 mil, mas isso fornecendo para pesque pague, utilizando o serviço de disk peixe, etc. O produtor pode ter de um a 50 hectares ou uma área que tenha o mínimo de terra. É preciso respeitar a capacidade que o local (açude ou lagoa) permite, monitorar a qualidade da água com certa periodicidade e ainda ter infraestrutura básica e mão de obra específica. De acordo com Giovanni Oliveira, uma pessoa capacitada consegue alimentar e dar suporte a cerca de 40 a 50 tanques rede. Caso a pessoa já tenha o local apropriado e estrutura, o investimento inicial gira em torno de R$ 25 mil.
            Todos os cursos na área de aqüicultura são realizados pela Ferub em parceria com outras instituições. Até o final do ano, ainda haverá outros cursos sobre peixes ornamentais, doenças na piscicultura, reprodução de peixes migradores e cultivo de camarão. Vários pequenos produtores estão participando dos cursos e estão tendo a oportunidade de definir metas e cultivos que se adaptem à realidade.
Ontem pela manhã, na abertura do curso rede tanque, o vice-prefeito Paulo Vitiello enfatizou a importância da piscicultura para a região e o trabalho do Centro Tecnológico de Aqüicultura Familiar (Cetaf). “É preciso fortalecer esse mercado e é interesse da Administração municipal introduzir o alimento na merenda escolar de Uberlândia. Então é muito bom termos quem produza com qualidade”, disse. No período da tarde, foi a vez do doutor em aqüicultura pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) e empresário do ramo Alex Frederico de Novaes falar sobre o assunto. Para os demais cursos da Ferub, os interessados podem entrar em contato com o Cetaf/Ferub através do telefone: (34) 3234-1362.
           

Cássia Bomfim
Ferub

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