Professores municipais terão acompanhamento psicológico
Os professores da rede municipal de ensino passarão ainda neste mês a receber acompanhamento psicológico, com a implantação do projeto “Cuidando de quem ensina: A escuta do sofrimento psíquico dos professores”. O projeto foi apresentando nesta terça-feira (10), no Centro Administrativo Municipal, e será desenvolvido pela Secretaria Municipal de Educação (SME) e Instituto de Psicologia da Universidade Federal de Uberlândia (Ipufu). O projeto oferecerá aos professores municipais a oportunidade de serem amparados psicologicamente em seus sofrimentos surgidos em decorrência da docência.
Os trabalhos vão acontecer no Centro Municipal de Estudos e Projetos Educacionais Julieta Diniz (Cemepe). Estudantes do curso de Psicologia da UFU atenderão, gratuitamente, telefonemas de professores com problemas. Algumas situações serão resolvidas pelo telefone. Outros atendimentos poderão ser feitos pessoalmente e a pessoa poderá ser encaminhada para grupos de discussões, inicialmente divididos em duas turmas com capacidade máxima de 40 participantes e 20 encontros. A expectativa é que em breve sejam quatro grupos.
“Os grupos de discussões trabalharão para criar impulsos positivos nos participantes que também poderão ser levados para as escolas. Desta forma, será possível diminuir ou melhorar as condições de trabalho e da qualidade de vida de todos”, disse o coordenador do projeto e professor do Ipufu, Luiz Carlos Avelino. Os profissionais que necessitarem de atendimento especializado serão encaminhados para a Clínica de Psicologia da UFU.
Segundo Luiz Carlos Avelino, os estudantes que vão participar do projeto são voluntários, estão na fase final do curso de Psicologia da UFU e preparados para lidar com as situações que surgirem. Após esta primeira etapa, o programa será analisado e, se for preciso, serão apresentadas propostas de mudanças.
A participação dos professores nos grupos de discussão e outras atividades do programa não substitui as demais atividades junto às escolas e à SME. Os profissionais deverão assinar documentos declarando que suas participações são espontâneas e não contarão com registro de ponto para efeitos trabalhistas.
“É um projeto que cuida dos professores, profissionais que também zelam pela sociedade. É preciso dar vozes para esses sujeitos e partimos de um diagnóstico que reconhecemos a urgência de entendermos e contribuirmos com os professores na resolução de suas dificuldades. Tudo que acontece na sociedade tem impactos nas escolas e precisamos nos unir e nos fortalecer”, disse a secretária de Educação, Gercina Novais.
Exibição de filmes, palestras e debates
Após o lançamento do projeto, ainda no turno da manhã, os participantes assistiram ao filme “A língua das mariposas”. O longa-metragem espanhol, produzido em 1999 e dirigido por José Luiz Cuerda, aborda a influência de um professor no processo de desenvolvimento pessoal, cognitivo, político e social do menino Moncho, de sete anos. O garoto tinha medo de ir à escola e encontrar professores desumanos, mas para sua surpresa, suas aulas são lecionadas pelo carismático professor Don Gregório. O filme ainda retrata temas como a Guerra Civil Espanhola e o Fascismo.
No turno da tarde os participantes assistiram às palestras “Por que sofrem os professores”, com a professora Marisa Elias; e “Escolas públicas que superaram desafios”, com o palestrante Adriano Gosuen.
Cineanalise
Paralelo ao “Cuidando de quem ensina: A escuta do sofrimento psíquico dos professores”, a SME continuará desenvolvendo o “Aprendendo com a Emoção – CineAnálise”. A proposta é diminuir a quantidade de afastamentos por problemas de saúde mental dos profissionais e compreender as necessidades dos alunos municipais. Para executar o trabalho, a SME conta com a parceria do Centro de Estudos e Eventos Psicanalíticos de Uberlândia (Ceepu). As edições são mensais e exibem filmes que contemplam questões vivenciadas pelos educadores.
Marden Rangel
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